0

A administração dos institutos de vida consagrada e o voto de pobreza

Os Institutos de Vida Religiosa serão cada vez mais eficazes em suas atividades, se nelas reinar o verdadeiro sentido e verdadeiro espírito de pobreza ensinado pelo Cristo e, na real dedicação ao cumprimento de suas Constituições, Regras, Disposições Capitulares e ainda, no exato cumprimento de seus objetivos estatutários e constitutivos.

No mundo de hoje, a previsibilidade da administração é ponto de honra, uma exigência, uma necessidade e um imperativo para que as entidades religiosas vivam o verdadeiro sentido do voto de pobreza.
Muitas pessoas perguntam: O que significa o Voto de Pobreza pelo qual está comprometida a pessoa do Religioso Consagrado? O sentido real do voto de pobreza é o desprendimento às coisas materiais, ao egocentrismo, ao egoísmo em grupo, à vaidade e é também, o desprendimento ao crescimento cultural pessoal em detrimento de outrem em sua vida comunitária. Assim, na medida em que ele tenha maior acúmulo de conhecimentos deverá também, preocupar-se em promover os seus irmãos, aqueles que convivem com ele no dia-a-dia, colaborando no seu desenvolvimento de vida religiosa, intelectual, cultural, profissional, pessoal, repartindo-lhes o pão da cultura e da sabedoria.
2 A falsa pobreza religiosa estará na proporção em que ele tendo conhecimento das reais necessidades das obras e iniciativas de seu Instituto de Vida Consagrada, ele pense unicamente em sentido de sua comunidade de vida, de sua casa, de sua obra, sem pensar em todo o Instituto de Vida Consagrada. É importante refletir que não adianta ele sorrir enquanto os outros irmãos choram, mas que saiba sorrir quando os outros sorriem e que chore quando os outros estão a chorar.
O verdadeiro sentido do Voto de Pobreza para o Religioso se evidencia quando este embuído na verdadeira pobreza, despido da vaidade pessoal, do egocentrismo e, tomado pelo amor, revestido das qualidades peculiares de sua vocação, sabe ser pobre, embora esteja no dia-a-dia utilizando-se de muitos bens materiais, mas com desapego e nunca numa visão de seu direito de propriedade e de sua posse.
Os Institutos de Vida Consagrada devem ter subsídios necessários a garantir à continuidade de suas atividades, ter a segurança para garantir a velhice e a doença de seus membros, bem como, estarem alicerçados numa economia que possa estar preparada para os abalos imprevisíveis decorrentes da gestão administrativa e de outras razões adversas.
A pobreza de cada Religioso será refletida na Instituição, que cada qual com sua oração, seu trabalho, seu esforço e dedicação a constitui, pois, não é o Instituto de Vida Consagrada que constitui e faz o seu membro, este sim, pelo seu exemplo, testemunho vivo, é que o exterioriza e o lança no meio ambiente como germe inesgotável do amor cristão.
O Religioso chamado a servir a Igreja na função de gestor, administrador e ecônomo deverá em decorrência de seu Voto de Pobreza, como Professo e consoante o Código de Direito Canônico, cumprir com exatidão seu ministério de gestão administrativa, visto que sua ação é ação em nome de seu Instituto de Vida Consagrada e da Igreja.
Na vivência do Voto de Pobreza, Voto de Castidade e Voto de Obediência, aliada ao amor, segundo o carisma de seus Fundadores, os Institutos de Vida Consagrada, por meio de seus Religiosos, apresentarão à comunidade social em que militam, os princípios nos quais se alicerçam e se formaram, princípios estes fundamentados no Evangelho, no Carisma de seu Fundador, em suas Regras, Constituições e na Doutrina Social da Igreja.
3 Os princípios aos quais me refiro, estão fundamentados nas seguintes proposições: I - Na perseverança e lealdade para com DEUS; II - Na lealdade e no amor para com o próximo; III - Na observância rigorosa, mas aberta, consciente, alegre, espontânea e livre de suas regras e constituições; IV - No zelo pelo patrimônio do Instituto de Vida Consagrada, que não é seu, mas sim de todos, numa comunidade de fé, de amor, de efetiva fraternidade e espiritualidade em prol de uma finalidade possível; V - Na gestão administrativa, o Religioso deverá ver-se como mero administrador dos bens do Instituto de Vida Consagrada, despido da pretensão e da vaidade de se sentir e de se considerar proprietário, dono da obra e ou da instituição, na qual tem a mera incumbência de gerir os negócios; VI - No fiel desempenho da gestão administrativa, visando à aplicação de suas rendas e receitas nas finalidades sociais, previstas em suas Constituições, Regras e Estatutos; VII - No trabalho em oração, trabalho este ordenado, planejado, orçado, dentro da capacidade econômica de atividade desenvolvida, dentro das técnicas que mais venham a diminuir seus custos e fornecer ao Instituto de Vida Consagrada, os melhores e mais eficazes meios de orientação à aplicação de seus bens à construção do Reino de DEUS; VIII - Nesse sentido cada obra do Instituto de Vida Consagrada fará todo esforço para a concretização de um Plano Econômico e Administrativo Pastoral exequível; IX - Na justiça social prestada aos seus associados; X - Na justiça social deverá o Instituto de Vida Consagrada estabelecer seu Quadro Salarial atendendo as necessidades econômicas essenciais de seus colaboradores de sua missão, procurando não confundir o salário mínimo que é o mínimo exigido por lei, com o mínimo que a Instituição pode pagar, baseada em sua capacidade financeira, nas exigências legais e na promoção humana; XI - No cumprimento exemplar das obrigações fiscais, tributárias, previdenciárias, fundiárias e trabalhistas (Mt 17, 25-27); XII - Na observância do momento histórico em que vive e na constatação da realidade social;
XIII - Na colaboração efetiva para com a Igreja Particular através da oração, do trabalho, de ações, de atitudes e de meios pecuniários; XIV - Na colocação prática das palavras do Cristo: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração... (Mt 11, 28-30)”; XV - No cumprimento sem medidas das exigências do Evangelho a fim de tornar o Cristo sempre mais conhecido e mais amado. Finalizando, de acordo com minha pequena visão desse Voto tão importante professado pelos Religiosos Professos, concluo que o Voto de Pobreza será vivido na intensidade apresentada, se os Religiosos atenderem ao pensamento da Igreja expresso na Constituição Dogmática "LUMEM GENTIUM" e no Decreto "PERFECTAE CARITATIS".

Prof. Sergio Roberto Monello Salesiano Cooperador, Advogado, Contabilista e Professor.
Sócio da Advocacia Sergio Monello Sócio do Escritório Contábil Dom Bosco SS. Ltda. (Monello Contadores) Presidente Nacional dos (as) Ex-Alunos (as) de Dom Bosco Conselheiro da Associação dos Salesianos Cooperadores da Inspetoria de São Paulo Conselheiro do Sindicato dos Contabilistas de São Paulo Membro da Comissão da Melhor Idade do CRC/SP Membro da Comissão do 3º Setor da OAB/SP

Área do cliente.

Consulta de andamento de processos.

Agenda

  • Você pode conferir aqui a data de vencimento dos tributos/contribuições, na agenda elaborada pela Receita Federal durante o mês
    leiamais

 

 

leiamais

Aguarde